A temporada

Estreamos dia 22 de fevereiro as 20h e naquele dia havia a especulação que a Maria Fernanda, a filha da Dolores viria para a estréia, a animação no grupo  era geral, ficamos todos muito emocionados e honrados com a presença dela, e de sua filha Isadora que não parava de fotografar o espetáculo um minuto sequer!

Mesmo com presenças ilustres, para ser sincera foi uma estréia um pouco fria e mesmo  a casa estando cheia estávamos muito tensas e nervosas com o grande dia, para nossa sorte  o público entendeu nossa proposta  pois mesmo depois desse episodio tivemos sempre a casa cheia.Image

O público da Radio Retro se mostra muito misturado, alguns dias temos muitos idosos que cantam todas as músicas junto conosco, as vezes temos em maioria jovens que se divertem com as piadas rápidas ditas pelas atrizes,  e ate cantarolam! todos sorriem e acompanham cada passo dado em cena.Image

Alguns dias atrás o correio braziliense nos ligou e pediu que ilustrássemos fotos sobre a cantora Marlene, saímos também no caderno de moda, ilustrando a onda Retrô,  e fomos convidadas a participar do jogo de cena. Será mesmo uma “onda”?

Abaixo seguem alguns depoimentos que retirei das redes sociais:

Nós somos as cantoras do rádio… “Rádio Retrô – Divas da Era”, “viaja” pela época de ouro do rádio brasileiro. O espetáculo homenageia a trajetória de grandes divas da era – Dolores Duran, Linda Batista e Nora Ney. As crônicas inevitavelmente levam as canções que marcaram a era do rádio, com arranjos de tirar o fôlego, executados ao vivo pelas divas e seu quarteto. O cenário traz elementos dos anos 50, como móveis e objetos. As atrizes Ana Paula Braga, Júlia Ferrari, Rosana Loren e Valéria Rocha levam para o palco um pouco da vida e obra das cantoras. Elas cantam, dançam e narram relatos e histórias das vidas agitadas de quem viveu naquela época. O figurino traz criações que relembram os bailes da época. Bom, eu adorei! Saí embevecida, com alma num estado de pura alegria. E logo eu que amo Rádio, que escutava com meu pai quando era pequena; não na época das Divas, né. Antes que algum engraçadinho faça comentários sobre minha época. Enfim, super recomendado para todos que gostam de música. De boa música! Parabéns

( Márcia Paravizzi- Jornalista na Camara dos Deputados)

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Convido a todos a assistirem “Rádio retrô” um lindo espetáculo, na verdade mais do que isso, um belo trabalho para quatro atrizes\cantoras, desafiadas a viverem divas do rádio e para quatro músicos que jogam também como atores, uma bela pesquisa e um importante resgate da história da música brasileira. Quem for assistir vai poder ri, se emocionar, refletir sobre a questão da violência contra a mulher (que infelizmente até hoje é um tema que precisa ser discutido), tudo isso de modo tão gostoso que o tempo passa sem ser percebido (qualidade dos bons trabalhos artísticos), o espetáculo é bem orgânico, tem um belo cenário e figurinos práticos que se transformam todo tempo. A peça tem ainda duas semanas de temporada no bom teatro da livraria cultura, não perca. Agradeço a todo o grupo por essa boa experiência cênica

(Ricardo Guti- Diretor de teatro)

Sem contar os inúmeros outros elogios que recebemos em nossa página no Facebook, caso não conheça nossa página : https://www.facebook.com/pages/R%C3%A1dio-Retr%C3%B4/124938094348835?fref=tsImage

Queremos agradecer todos que nos apoiaram, que fizeram esse espetáculo chegar no coração de quem assiste. Esperamos daqui para frente outros convites, outros horizontes, pois acreditamos que a cultura brasileira deve ser valorizada e admirada para todo o sempre.

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Valéria Rocha.

Reta Final

Chegamos na etapa final, depois de muitos ensaios encontramos no nosso caminho grandes parceiros que assim como todas nós também sentiram saudade, nostalgia daqueles anos dourados da Era do Rádio, e seus incríveis intérpretes.

Há algumas  semanas contamos com os olhos atentos dessa equipe maravilhosa que além de trazer ótimas idéias, nos ensaiam para que tudo seja nos conformes: Murilo Grossi como diretor de atores, Matheus Ferrari que além de músico cria nossas coreografias, Luana Proença que limpa e define nossos movimentos em cena, Marcelo cuidando do nosso som e microfones, e sem contar a banda- Nonato no baixo, Gabriel na guitarra, e Thiago na bateria, meninos especiais que aceitaram estar em cena conosco brincando e se divertindo; as ultimas semanas não tem sido fáceis, o tempo corrido, exige perfeição de cada um de nós, o cansaço e paciência tem sido nossos companheiros ate altas horas da noite.

Esperamos ansiosos pela estréia e desejamos despertar no público esse retorno a música Brasileira.

ImageDivas

Ensaios

Estamos naquele momento em que não existe o “estado de estar cansado”, o tempo urge, os erros precisam ser melhorados…Nos últimos dias recebemos visitas: familiares e artistas; estávamos numa expectativa tão grande, seria a primeira vez que mostraríamos nosso trabalho, ainda em processo, ainda se estabelecendo, criando pernas e ganhando força.

Quando terminamos fazíamos mil perguntas, tentávamos entender o que o público iria assistir, seria compreensível? Era interessante de ser visto? E nesse momento nos deparamos com uma questão: temos que concretizar nossa proposta inicial, não se seduzir pela critica, pois nunca iremos agradar gregos e troianos; no entanto uma coisa ficou clara: a personalidade das cantoras- atrizes. Isso tinha que ser muito bem lapidado.

E nesse momento tem sido essa nossa nova questão: como deixar isso claro?

Agora o momento é aprofundar as seguintes perguntas:

Quem era a Dolores?

Era alegre, jovem, criativa, auto didata.

E Nora Ney?

Despertava sensualidade, era forte, imponente.

E Linda Batista?

Forte, poderosa, corajosa, a frente de seu tempo. Mesmo na miseria mantinha a pose altiva.

Como já foi dito aqui no blog anteriormente, não estamos em uma imersão para fazer uma mímese da personagem, o que pretendemos é tornar a personalidade das cantoras visíveis através da personalidade das atrizes, como um jogo.

Sobre esse aspecto Maysa fala um pouco de Dolores Duran:

Charme e elegância de Nora Ney, que era comunista, sofreu crises no casamento ate finalmente encontrar um grande parceiro: Jorge Goulart

Linda Batista de queridinha do Presidente a miseria e esquecimento

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Se trata de nostalgia? de saudade?

A jornada continua….

Como passar para o teatro, o mundo em que vivemos?

Chegamos na etapa, onde a dramaturga entrega o texto o grupo lê  e novamente, todas as duvidas aparecem aquelas de sempre: em relação a encenação em relação ao tom que o espetáculo deve ter,  e por ultimo e não menos importante: como devemos abordar o texto afinal?

Enquanto lia o texto, narrado muitas vezes em primeira pessoa, tinha plena certeza que não faria uma mimese de nenhuma cantora, não penso em representar fielmente Nora Ney, Linda Batista ou Dolores Duran no sentido de trazer seus gestos, seu tom de voz, sua expressão facial ou qualquer outro trejeito.

O foco passa a ser portanto o discurso cênico – biográfico daquela determinada cantora, desenvolvido por cada atriz da Rádio Retro, ou seja, estamos buscando uma voz para essas cantoras a partir da atriz, como sua  a sua personalidade,  e o próprio timbre de voz;  existe o cuidado por parte do grupo  de não descaracterizar os fatos vividos pelas cantoras, dessa forma discutimos sobre a vida delas, afim de entender os motivos que as levaram a ter a vida que tiveram, estudamos sua forma de pensar e como eram transgressoras para a época; conversamos também sobre como abordar esses depoimentos de uma forma considerada simples, sendo assim nos perguntamos: como iremos contar uma historia real de uma cantora que viveu nos anos 30, 40 com a forma peculiar de cada atriz?

Em um determinado dia de ensaio combinei com o elenco de fazer uma entrevista, elas não saberiam o tema, nem o tempo que essa entrevista levaria, apenas responderiam ao que fosse perguntado; No dia combinado  cheguei com meu caderno sentamos e começamos a tomar café, e dali fiz uma pergunta ” Como você começou a fazer a teatro?”  quando percebemos estávamos no passado de cada uma contando desde a primeira reação ao ver o teatro, ate a primeira peça encenada. As meninas não entenderam a principio, pois quando chegamos no nosso horário de encerramento juntei minhas coisas e fui embora sem dar nenhuma explicação.

Aquelas entrevistas foram decisivas para a escolha dos textos, eu e a Dani Diniz ( nossa dramaturga) analisamos cada fato vivido pelas atrizes pois a partir das entrevistas ou seja, de  histórias nossas,  foi feito uma especie de “colagem”  com a  vida pessoal das cantoras, ou seja os textos biográficos foram  escolhidos com base em cada atriz, quase como se fosse possível escolher o texto a partir da vida pessoal de cada uma.

O ensaio que fizemos após esse exercício, ficou notável a presença  da memória física da entrevista no corpo de cada uma, pois o discurso se tornou  próximo das atrizes a ponto de algumas partes serem possíveis  confundir as  duas histórias.

Posso concluir que não chegamos em nenhum resultado ainda, estamos  todavia tateando e descobrindo a melhor forma de fazer essa fusão, sem reduzir nenhuma das partes,  e nem transformar o espetáculo em questões  unicamente pessoais do elenco,  transformadas em cena pois não é essa a questão, por enquanto continuamos ensaiando, ouvindo músicas e descobrindo novos caminhos.

Para ilustrar  o que pensamos quanto depoimento segue abaixo o Minidocumentário realizado para o projeto Thomás Tristonho e parte do portal “O Que é Tristeza pra Você?”.

mais informações em http://oqueetristezapravoce.com.br/

As Rainhas do Rádio

O concurso teve início em 1937, ano em que Linda Batista elegeu-se a primeira Rainha do Rádio Brasileiro. Ela reinou durante 11 anos seguidos, quando em 1948, a ABR – Associação Brasileira de Rádio – decidiu reorganizar o concurso, convocando novas eleições.

Linda Batista canta Vingança em 1976

A coroa acabou transferida a Dircinha Baptista, irmã de Linda, que manteve-se como “Rainha” até 1949.

Um número musical de Dircinha Batista no filme “Mulheres à Vista” (1959). 
Dircinha canta “Minha Terra tem Palmeiras”, marchinha que ironiza algumas características brasileiras, como a mamata e o jabaculê.

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Tentar. Tentar de novo. Tentar melhor.

Mudança de Planos

A partir da cena em  que Rosana Loren propôs um programa de rádio, ficamos  pensando sobre o  assunto, pois um programa  de rádio resolveria a dramaturgia, uma vez que dessa forma poderíamos encaixar nessa estrutura todas as historias. Seriam criados programas onde as artistas contariam parte de suas vidas, cantariam e poderia ainda haver até um programa de fofoca; enfim tudo que nossa imaginação permitisse.

Assim, fizemos uma improvisação com este objetivo para testar como poderia ser o nosso programa de rádio. Durante a improvisação, cada uma  das atrizes tinha uma mesa,que continha alguns objetos como cartas, telefone e fotos  e cada uma tinha a sua vez de apresentar, como numa espécie de jogo. Chegamos ate mesmo a improvisar uma radio novela, com temas referentes à época com direito a trilha sonora e choros melodramáticos.

Nos debruçamos sobre isso e partimos para a pesquisa dos programas de rádio, onde pude descobrir através do livro “Revista do Rádio”, do autor  Rodrigo Faour,  que as primeiras mulheres no rádio foram Lúcia Helena e Helena Sangiradi , que falavam especificamente de beleza e culinária. Descobrimos também que os programas de hoje não diferem tanto dos programas de auditório de antigamente, ainda que aqueles sejam feitos para a televisão, os dois são semelhantes, uma vez que o contato direto com o auditório e a participação direta do público foi herança do rádio. Para se ter uma ideia do formato, citamos aqui os programas de auditório do Silvio Santos, Raul Gil, entre outros.

Caetano Veloso interpreta Vingança composição de Lupicinio Rodrigues, 1951  ficou famosa na voz de Linda Batista

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Divas do Rádio

DIVAS

A partir de inúmeras discussões acerca do quanto se conhece a respeito da memória da música popular brasileira e seus incontáveis intérpretes na contemporaneidade, as seguintes perguntas se apresentaram diante de nós: quais cantoras de rádio seriam abordadas? Qual seria o critério para esta seleção? Seria possível associar esta abordagem a depoimentos pessoais na peça? Sentíamos vontade de contar um pouco mais sobre a vida dessas cantoras, juntamente com um panorama da época áurea do rádio. No entanto, o objetivo principal do projeto é fazer um recorte dos anos 40 e 50, relembrando as principais composições musicais e criando novos arranjos destas obras, conferindo a estas um teor mais moderno.

A escolha das cantoras não se deu unicamente por suas composições, uma vez que apenas algumas escreviam suas próprias músicas. Deste modo, o critério de seleção baseou-se principalmente no prestígio e no apelo popular que essas cantoras apresentavam. Assim, foram selecionadas as seguintes artistas:

 

Dolores Duran:nascida em 1930 na cidade do Rio de Janeiro, seu nome verdadeiro é Adiléia da Silva Rocha. De origem humilde,  Adiléia começou

Dolores Duran

a carreira aos 10 anos de idade  no programa de calouros do Ary Barroso,  que, segundo consta, se encantou com a pequena menina a partir desse concurso. Adiléia passa então a ajudar com as despesas da casa e com apenas 16 anos foi vista cantando por César de Alencar, que reconheceu seu talento e a levou para cantar na boate Vogue. Por causa de sua tenra idade, Adiléia falsificou seus documentos e assim passou a apresentar-se diariamente cantando boleros, samba-canção, jazz e, mesmo sem ter aprendido quaisquer outras línguas, cantava canções em outros idiomas como inglês, francês, espanhol e até esperanto. Suas composições foram regravadas por inúmeros artistas, como Maysa, Nora Ney, Milton Nascimento, Nana Caymmi e Gal Costa. Algumas canções foram lançadas postumamente, como é o caso de “Noite do meu bem”.

Foi uma cantora de prestigio na época, sendo bastante reconhecida no meio musical e considerada a rainha do samba-canção. Apesar de nunca ter tido esmagadora popularidade ou fã-clube, foi contratada pelas principais rádios e realizou turnês pelo mundo todo. Talvez por sua morte prematura aos 29 anos, sua discografia é pequena, sendo constituída por apenas X discos (incluir número de discos lançados).

Ao contrário do que se pensa, Dolores não era essa mulher triste que muitos acreditavam ser. Segundo seu marido Macedo Neto, Dolores era alegre na mesma medida de sua aparente tristeza:

                  “Dolores era alegre e triste. Amarga e doce. Não era bonita, mas dois segundos depois de conhece-la, ficava linda. Vivia preocupada com o aspecto físico, era um pouquinho gordinha, era vaidosa e muito!”

(Dolores Duran. Uma tristeza tão grande. Ultima Hora, 25/10/77)

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